Só a leve esperança, em toda a vida, Disfarça a pena de viver, mais nada: Nem é mais a existência, resumida, Que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada, Sonho que a traz ansiosa e embevecida, É uma hora feliz, sempre adiada E que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos, Árvore milagrosa, que sonhamos Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim: mas nós não a alcançamos Porque está sempre apenas onde a pomos E nunca a pomos onde nós estamos. (Vicente de Carvalho)
Círculo Vicioso
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume: - Quem me dera que fosse aquela loura estrela, que arde no eterno azul, como uma eterna vela! Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
- Pudesse eu copiar o transparente lume, que, da grega coluna à gótica janela, contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela! Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
- Misera! tivesse eu aquela enorme, aquela claridade imortal, que toda a luz resume! Mas o sol, inclinando a rutila capela:
- Pesa-me esta brilhante aureola de nume... Enfara-me esta azul e desmedida umbela... Porque não nasci eu um simples vaga-lume? (Machado de Assis)
1. O que tem em comum entre os dois textos?
2. Em sua opinião, o que é a felicidade?
3. Em que você põe a sua felicidade?
4. Diante de um contexto de crise epidemiológica, incertezas, isolamento social, você se considera uma pessoa feliz? Justifique a sua resposta.